Há um paradoxo que ainda não vi ninguém notar, ou então sou eu que não percebo nada do que se está a passar. As eleições em França, ao dar a vitória a François Hollande, consagraram o princípio de que se deve dar prioridade ao crescimento, embora mantendo o rigor - termo que o presidente eleito prefere a austeridade - para que se limite o défice. Não é novidade e várias vozes, incluindo o chefe do nosso maior partido da oposição e, com ele, muitos socialistas, têm condenado o excesso de austeridade e defendido veementemente medidas que promovam, ou pelo menos favoreçam, o crescimento e o emprego. Até aqui não há qualquer contradição. O que pode parecer estranho é que os mercados reagiram mal ao resultados das eleições: as taxas de juro da dívida soberana de vários países, incluindo a França, subiram no mercado secundário, os índices bolsistas baixaram e o próprio euro caiu para o valor mais baixo em três meses, quando até recentemente esboçava uma recuperação que parecia segura. E todos os comentadores acharam uma consequência natural e espectável. Então, em que ficamos? Será que os mercados não gostam das perspectivas de crescimento? Será que o crescimento não tenderá a proporcionar aos investidores melhores condições de rentabilidade?
No meu último postal, sobre a marcha da desobediência, que eu considerava quase secreta, perguntava:
«Será uma marcha secreta? Será uma marcha fantasma? Onde estão neste momento? Estão a chegar a Lisboa? Quantos são? Milhares? Centenas? Quantos militares aderiram? Os membros da Associação 25 de Abril", que decidiram não participar na celebração oficial do 25 de Abril, participam na marcha? Levam armas? Como pretendem mudar o sistema político? Que sistema político querem em vez do actual?»
Bem, já tenho algumas respostas:
A marcha não foi secreta, mas a comunicação social não a considerou importante o suficiente para a noticiar (Com razão!).
Não foi uma marcha fantasma, mas foi uma marcha, se se tratou de marcha e não de passeio, minimalista.
No momento em que eu escrevia deviam estar a chegar a Lisboa, não a marchar, mas sim de comboio.
Os participantes na marcha, a julgar pelas imagens na plataforma e no exterior da Estação de Santa Apolónia, deveriam ser nem milhares nem centenas, nem sequer dezenas, talvez uns 3 a 6.
Militares, não os vi. Se algum dos participantes era militar, não o declarou. Não me parece que houvesse qualquer membro da Associação 25 de Abril. Tal como não quiseram participar na sessão comemorativa na AR, também não aderiram à marcha.
Não vi armas, só um megafone e um dístico pintado num pano que foi desenrolado no exterior da estação que dizia "ABUSO DE AUSTERIDADE" e tinha um desenho de um cravo.
Parece que pretendiam mudar o sistema político fazendo uma curta declaração à poucas pessoas que passavam e que pararam para os ouvir.
Não especificaram que sistema político pretendiam.
Não conhecia o sítio "bambuser" e não sei o que é nem o que pretende. Não sei quem é o autor da notícia que adoptou o nome de z3povinho. Pelas imagens do vídeo pareceu-me que a TVI foi cobrir o evento, mas não dei por ter sido transmitida qualquer notícia.
Bem fez quem os ignorou. Eu é que fiz mal em ir ao engano.
Ao ouvir um comentário no programa Opinião Pública da SIC referir uma tal "marcha de Coimbra" com alguma preocupação, como nunca tinha ouvido falar em tal marcha, resolvi investigar. Encontrei uma notícia da LUSA, repetida ou resumida em diversos órgãos de comunicação, sobre uma "marcha de desobediência" que se teria iniciado no passado dia 20 em Coimbra e que viria a caminho de Lisboa, passando hoje de manhã por Santarém, onde seria prestada homenagem a Salgueiro Maia, devendo chegar à Capital esta noite, terminando a marcha depois da meia noite em frente da Assembleia da República. O objectivo da marcha é, nem mais nem menos, mudar o sistema político. Para isso fazem apelo à desobediência e a que os militares "saiam para a rua e se juntem a eles". Mas na minha busca não consegui encontrar qualquer notícia que confirmasse a saída de Coimbra, a passagem por Santarém, a caminhada até Lisboa, nem uma imagem, nem uma referência. Será uma marcha secreta? Será uma marcha fantasma? Onde estão neste momento? Estão a chegar a Lisboa? Quantos são? Milhares? Centenas? Quantos militares aderiram? Os membros da Associação 25 de Abril", que decidiram não participar na celebração oficial do 25 de Abril, participam na marcha? Levam armas? Como pretendem mudar o sistema político? Que sistema político querem em vez do actual? Muitas perguntas. Nenhuma resposta. Por enquanto, pelo menos.
Lembram-se que ainda não há muito tempo espalhou-se a moda de que seria bom se fôssemos espanhóis, já que os portugueses se debatiam com tantos problemas? Pois eu gostava de saber onde estão agora esses patriotas... Ser espanhol deixou de estar na moda.
Gostava bem de saber quanto me custou, como contribuinte, a nacionalização do BPN. Falou-se de vários números, de injecções de liquidez da parte da CGD de valor não revelado, de um passivo de 1,8 mil milhões de euros, da necessidade de regularização de um "buraco" de 3,5 mil milhões de euros em 2011, de outras quantias, mas qual foi o custo final não foi ainda revelado. Esperemos que a auditoria e o inquérito parlamentar em curso nos esclareçam. Mas fiquei intrigado há dias quando ouvi falar de juros que o BPN terá de pagar pelos empréstimos da CGD e pelo aval do Estado. Será que nas enormes quantias referidas pelo menos uma parte foi dinheiro emprestado? Se sim, quem vai pagar se é que alguém pagará? Não acredito que o BPN depois de comprado pelo BIC pague empréstimos da CGD contraídos antes da venda, isto é, que seja o próprio BIC a pagar. Quem nos esclarece? Quem paga, ou seja, nós todos, tem direito de saber.
Afinal o número de funcionários públicod tem dominuído (como tenho ouvido dizer, nomeadamente para as bandas do governo) ou aumentado, (como afirma agora Constâncio)?
Perante a notícia de que a presença da fábrica de pirotecnia era anterior à construção das habitações que a rodearam e da escola, torna-se necessário reformular a pergunta:
Como é possível que se construam casas de habitação e uma escola tão próximo de uma fábrica de explosivos, sabendo-se, para mais, que já houve em anos anteriores explosões com vítimas mortais? Não há regras, não há necessidade de licanças?
Como é possível que exista uma fábrica de explosivos junto de casas de habitação, já para não falar na ainda mais incrível existência na proximidade de uma escola primária? A fábrica explodiu, causando a morte a um trabalhador e ferimentos ligeiros a duas crianças. Aconteceu em Canidelo, Vila do Conde.
No tempo do Estado Novo, pelo menos enquanto ele foi de facto novo, que depois de velho perdeu-se esse hábito, perguntava-se em reuniões "patrióticas": «Quem manda?». E a multidão respondia: «Salazar, Salazar, Salazar!». (pelo menos contaram-me isto, que não sou tão velho a ponto de me lembrar).
Agora quem manda? Teixeira dos Santos ou Mendonça?
Parece quer Sócrates resolveu sacrificar o primeiro. Ele é que manda e mandou-o calar-se dando razão ao Ministro das Obras Públicas. Será que se fica?
Que dirão um ao outro Passos Coelho e Sócrates amanhã quando se encontrarem às 11:30?
Será que viremos a saber tanto como da reunião de 3 horas que tiveram há dias?
Quando achará Cavaco que é altura de dizer alguma coisa?